fevereiro 13, 2007

Portugal deixou de ter 1o milhões de poetas e passou a ter 10 milhões de humoristas


Estreou o novo programa do Herman José, o Hora H, que tenho o prazer de escrever, juntamente com o meu irmão (o António Marques), o Francisco Palma, o Nuno Markl, o José de Pina e o Filipe Homem Fonseca. As reacções, era previsível, foram arrasadoras. Acho que desde o Pina Manique que tantos portugueses não se deram ao trabalho de falar mal de alguém. No blog do Markl, um energúmeno chegou a dizer que preferia cortar a planta dos pés com uma lâmina de barbear a ver o Hora H. Eu aconselhava-lhe o pescoço, mas os pés também servem. O que acontece é que o Herman José é uma espécie de Mário Soares do humor português, alguém de quem se gosta de dizer "devemos-lhe muito, coiso e tal, mas…". Naturalmente, a expectativa e desejo gerais era que um regresso do Herman José fosse como a terceira candidatura do Mário Soares à Presidência da República, com a Maria Rueff no lugar da Joana Amaral Dias. Infelizmente para esses paladinos do humor que andam por aí, nessa coisa chamada blogosfera, não foi. O Hora H é um programa perfeito? Não. É o melhor programa do Herman José? Não. Nem pode ser. Começou agora mesmo. Os críticos do Hora H fazem-me lembrar os apoiantes do "Não" no referendo ao aborto, que acreditam que um feto de meia dúzia de semanas é um ser humano completo, à semelhança, digamos, do Winston Churchill. Não é. Nem o Hora H é um programa de humor. Há-de ser. Começou agora a ser. Mas já há quem queira abortá-lo e atirá-lo para um penico. Os autores são todos uma merda, o Herman José está acabado, blá, blá, blá. Lembro o exemplo do Zinedine Zidane. Também ele estava acabado para o futebol e o Mundial 2006 apenas serviria para entronizar o Ronaldinho Gaúcho como melhor jogador do mundo. Acontece que o acabado Zidane foi, de longe, o melhor jogador do mundial e continuaria a ser, se estivesse para aí virado, apesar dos seus veneráveis 34 anos de idade, o melhor jogador do mundo. Isto irrita muita gente. Mas é assim mesmo. Quanto às plantas dos pés, espero que a lâmina de barbear estivesse enferrujada.

9 comentários:

Alexandre disse...

È isso mesmo, dá-lhes com força! È este Herman que eu gosto, o das personagens! Acho que o Raposinho Pinto se vai tornar em mais uma imagem de marca do Herman.

filomeno disse...

Me gustaba el personaje de Herman, Tony Silva, cantor da música rro.....¡Falaba portunho muito engraçado!

filomeno disse...

Amigo Barranquense: ¿No se podría recuperar el personaje del cantor sudamericano Tony Silva para el programa la Hora H?

Feijão disse...

Pois, mas o Herman não se trata de um principiante. Por isso havia tanta expectativa em torno do seu regresso (sim, porque o HermanSic foi uma ausência). Não são aceitáveis justificações do tipo "ainda não é um prograna de humor, mas há-de ser... estamos só a aquecer". Se fosse outro qualquer, a coisa passava despercebida e o pessoal até podia pensar "Eh pá! Com tempo estes gajos chegam lá!". Como é o Herman, não passa!

VE disse...

Não podemos recuperar antigas personagens, porque o Hora H é suposto ser um corte radical com o passado. Mas vamos fazer o nosso melhor para criar os novos Tony Silva. Quanto ao Herman não ter margem de manobra para errar e ter de ser geniel logo à primeira, num novo projecto, lembro apenas que até o Woody Allen tem momentos menos inspirados. Acontece a todos.

Anónimo disse...

Siempre es una garantía que un programa de TV cuente con un guionista admirador del gran Don Francisco de Quevedo y Villegas.......

VE disse...

Que na sua altura também foi atacado e obrigado a exilar-se na sua torre...

miguel disse...

O programa é mesmo muito fraquinho. Para o bem ou para o mal, só há duas leituras possíveis neste género de manifestação artística: ou é bom ou é mau. E este, apesar de tudo, é mau. Vai ser sempre mau e vai ficar na história como um mau momento do grande Herman José.

Camilo disse...

Concordo com o comentário do Miguel.
Quanto ao resto... os defensores do "Hora H" fazem-me lembrar aquele pai a ver o pelotão a marchar, onde o filho era o único com o passo trocado.
Os outros é que estavam errados!!!